Você evolui na medida das suas prioridades

Você evolui na medida das suas prioridades

“Eu não tenho tempo.”

Poucas frases aparecem com tanta frequência quando o assunto é aprender um novo idioma.

E, quase sempre, ela vem acompanhada de uma sensação de frustração.

Afinal, quem trabalha, participa de reuniões, cuida da família, resolve problemas e tenta equilibrar todas as responsabilidades do dia a dia realmente tem uma rotina intensa.

Mas, ao longo de muitos anos acompanhando profissionais adultos, percebemos uma diferença importante.

Na maioria das vezes, o problema não é a falta de tempo.

É a forma como esse tempo é distribuído.

Essa percepção surgiu de diversas histórias, mas uma delas ficou marcada.

Era uma profissional extremamente competente.

Organizada.

Perfeccionista.

Dedicada.

Trabalhava em uma área bastante exigente e, diariamente, precisava lidar com prazos, negociações e decisões importantes.

Depois de algum tempo estudando conosco, decidiu reduzir a frequência das aulas por questões financeiras.

Em vez de dois encontros semanais, passou a fazer uma única aula de noventa minutos.

Era uma decisão totalmente compreensível.

O problema apareceu logo depois.

A aula começava às cinco da tarde.

Mas, quase todas as semanas, ela chegava às cinco e vinte.

Às vezes, às cinco e meia.

Em alguns dias, ainda mais tarde.

Sempre havia um motivo.

Uma reunião que se estendeu.

Uma demanda urgente.

Uma negociação que precisava ser concluída.

Nada daquilo parecia falta de compromisso.

Muito pelo contrário.

Ela estava profundamente comprometida com o trabalho.

E talvez esse fosse justamente o ponto.

Durante muito tempo, apenas aguardávamos.

Fazia parte do nosso trabalho estar ali.

Assim como fazia parte do nosso trabalho comunicar que a aula estava pronta para começar.

Quando ela chegava, iniciávamos normalmente.

Sem cobranças.

Sem reclamações.

Até que, certo dia, ela pediu um feedback sobre sua evolução.

Foi uma oportunidade importante.

Nossa resposta começou de forma bastante objetiva.

“Sim, você está evoluindo.”

Mas havia uma segunda parte.

“Você está evoluindo na velocidade compatível com o tempo que consegue dedicar.”

O silêncio que veio depois dizia muito.

Não era uma questão de capacidade.

Nem de inteligência.

Nem de metodologia.

Ela própria percebeu que, todas as semanas, fazia a mesma escolha.

Os trinta minutos finais do expediente sempre pareciam mais importantes do que os trinta minutos iniciais da aula.

E existe uma consequência inevitável para qualquer escolha repetida ao longo do tempo.

Ela molda os resultados.

Naquele momento, não sugerimos que ela trabalhasse menos.

Nem que reorganizasse toda a rotina.

Fizemos uma proposta muito simples.

Se o horário das cinco da tarde realmente não fazia sentido para aquele momento da vida, talvez o melhor caminho fosse mudar o horário da aula.

Porque um plano só funciona quando respeita a realidade de quem vai executá-lo.

Essa conversa produziu um efeito que vai muito além do aprendizado do idioma.

Ela trouxe consciência.

Mostrou que existe uma diferença importante entre não ter tempo e, repetidamente, colocar um objetivo depois de todas as outras prioridades.

Anos mais tarde, essa mesma aluna já não estudava mais conosco.

Ainda assim, continuava indicando a Wort para colegas e amigos.

Em um almoço que tivemos depois de muito tempo, ela fez um comentário que ficou marcado:

“Já fiz outros cursos de inglês, mas, quando alguém me pede uma indicação, você continua sendo minha referência.”

Não porque as conversas foram fáceis.

Mas porque sempre existiu honestidade.

Existe uma ideia bastante comum de que encorajar alguém significa apenas motivar, elogiar ou transmitir confiança.

Nossa experiência mostra outra coisa.

Às vezes, a maior demonstração de respeito é acreditar que aquela pessoa pode fazer mais do que está fazendo naquele momento.

E, justamente por acreditar nisso, ter coragem de dizer uma verdade difícil com empatia.

Feedbacks honestos não afastam pessoas.

Quando existe confiança, eles fortalecem relações.

Porque deixam claro que existe alguém mais interessado no seu resultado do que no conforto da conversa.

No fim das contas, aprender um idioma não depende apenas de encontrar tempo.

Depende de decidir, repetidas vezes, que esse objetivo merece fazer parte das suas prioridades.

E, quando falamos sobre prioridades, desenvolvimento e crescimento profissional, é comum imaginarmos que as grandes mudanças acontecem em momentos extraordinários.

Mas, na prática, elas costumam nascer de pequenas decisões repetidas ao longo do tempo.

Foi exatamente esse tema que surgiu em uma conversa muito especial no WortCast com Carolina Alves, Diretora de Negócios na Spott e ex-aluna da Wort.

No episódio, Carolina compartilha uma história que dificilmente apareceria em um currículo ou no LinkedIn. Ela fala sobre inseguranças, desafios, momentos de dúvida e sobre como o inglês deixou de ser uma barreira para se tornar parte da sua trajetória profissional.

É um episódio sobre carreira, desenvolvimento humano e sobre as escolhas que fazemos quando decidimos investir em nós mesmos.

Se este artigo fez você refletir sobre o espaço que o aprendizado ocupa na sua rotina, vale a pena continuar essa conversa clicando aqui.

Talvez a história que o LinkedIn não conta seja justamente aquela que mais pode inspirar a sua próxima evolução.

Um grande abraço e até a próxima semana

Lisandro Jardim – Fundador e CEO na Wort Idiomas

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