Aprendizagem de adultos: gostar da aula não basta

Nem todo aluno que gosta das aulas está aprendendo (e o que isso ensina sobre aprendizagem de adultos)

Existe uma ideia bastante difundida de que uma boa aula é aquela da qual o aluno sai satisfeito.

Depois de muitos anos acompanhando adultos em seus processos de aprendizagem, percebemos que essa relação nem sempre é tão simples.

Alguns dos alunos mais satisfeitos que já passaram pela Wort também foram aqueles que evoluíram menos.

Essa constatação pode parecer contraditória, mas ela revela uma das maiores responsabilidades de quem ensina adultos: diferenciar uma boa relação de um bom processo de aprendizagem.

Há alguns anos, acompanhamos um executivo de uma multinacional que chegou ao curso motivado por uma necessidade profissional. A empresa incentivava o desenvolvimento do idioma, a rotina exigia contato frequente com o inglês e ele entendia a importância daquele investimento.

As aulas aconteciam duas vezes por semana.

Logo nos primeiros meses, um padrão começou a aparecer.

Ele gostava de conversar.

Falava sobre o trabalho, sobre as filhas, sobre futebol, sobre as dificuldades financeiras, sobre a vida.

Era uma pessoa bem-humorada, sempre tinha uma história nova para contar e fazia questão de compartilhar o que havia acontecido desde o último encontro.

Naturalmente, parte dessas conversas acontecia em inglês. Parte, em português.

Mesmo quando cometia erros, seguia falando com confiança. Uma expressão, em especial, ficou marcada:

“I conversation my daughter yesterday.”

Na lógica dele, aquilo fazia sentido.

E, de certa forma, era exatamente esse o espírito das aulas: comunicar primeiro, corrigir depois.

Durante bastante tempo acreditamos que conseguiríamos conduzir esse processo apenas ajustando a dinâmica das aulas. Aproveitávamos suas histórias para ensinar vocabulário, corrigíamos estruturas, introduzíamos novos elementos e buscávamos transformar aquelas conversas em oportunidades de aprendizagem.

Mas havia um problema.

Ele saía satisfeito.

Nós, nem tanto.

Não porque a relação fosse ruim.

Muito pelo contrário.

Havia confiança.

Havia respeito.

Havia conexão.

O problema era outro.

A evolução não acompanhava o tempo e o investimento que ele fazia.

Foi então que percebemos algo importante.

Existem situações que não são resolvidas com uma metodologia diferente.

São resolvidas com uma conversa clara.

Propusemos um acordo.

Um dos encontros da semana continuaria sendo um espaço para que ele trouxesse tudo aquilo que fazia parte da sua rotina. As conversas permaneceriam, porque elas também tinham valor.

No outro encontro, porém, o foco seria exclusivamente o desenvolvimento do idioma. Correções, estruturas, vocabulário, prática deliberada e tudo aquilo que realmente faria seu inglês evoluir.

A resposta foi simples:

“Faz sentido. Vamos fazer assim.”

A partir daquele momento, o processo ganhou direção.

Essa experiência deixou um aprendizado que continua presente na forma como enxergamos o ensino de idiomas.

Adultos não procuram apenas conteúdo.

Eles procuram alguém que os escute, compreenda seu contexto e respeite suas dificuldades.

Mas ouvir, por si só, não é ensinar.

Existe uma diferença importante entre oferecer um ambiente acolhedor e abrir mão do compromisso com o resultado.

O papel de um professor não é apenas criar uma boa experiência.

É ajudar o aluno a chegar onde ele próprio disse que queria chegar, mesmo que isso exija conversas desconfortáveis ao longo do caminho.

Porque, no fim das contas, uma relação de confiança não é aquela em que tudo é agradável.

É aquela em que existe espaço para honestidade.

E talvez essa seja uma das maiores responsabilidades de qualquer profissional que trabalha com pessoas: lembrar que empatia e clareza não competem entre si.

Na verdade, são justamente elas que permitem que a aprendizagem aconteça.

Talvez o problema não seja o inglês

Ao longo dos anos, aprendemos que, muitas vezes, aquilo que impede uma pessoa de evoluir não está na gramática ou no vocabulário.

Está na rotina.

Na falta de direcionamento.

Na insegurança.

Ou simplesmente na ausência de alguém que faça as perguntas certas.

Se você sente que já estudou inglês antes, mas nunca conseguiu transformar esse conhecimento em confiança para usar o idioma no trabalho ou na vida, talvez valha a pena refletir sobre uma pergunta diferente:

Será que o problema é, de fato, o inglês?

Foi justamente essa reflexão que deu origem ao nosso e-book “Será que o problema é o inglês?”, um material gratuito que apresenta uma nova perspectiva sobre os desafios da aprendizagem de idiomas na vida adulta e mostra por que, muitas vezes, a dificuldade está muito além da língua em si.

Um grande abraço e até a próxima semana!

Lisandro Jardim – Fundador e CEO na Wort Idiomas

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