Confiança para falar inglês construída na relação com o professor

Você aprende melhor com um professor ou professora de quem gosta?

Pense por alguns segundos em um professor que marcou a sua vida.

Talvez você lembre do jeito como ele explicava.

Mas provavelmente outras coisas aparecem antes.

Humor.

Paciência.

Exigência.

Curiosidade.

A sensação de que aquela pessoa acreditava em você.

Fizemos esse exercício recentemente com o nosso time. Quando pedimos que lembrassem de educadores que os haviam impactado, vieram palavras como motivação, carisma, criatividade, inspiração, escuta, simplicidade e empatia.

Quase ninguém começou falando do material didático.

O que nos levou a uma pergunta bem menos confortável. A confiança para falar inglês tem alguma relação com quem está do outro lado da tela, ou isso é apenas lembrança afetiva?

Existe uma pessoa por trás do aluno

Em educação existe um nome bastante usado para essa construção de conexão e confiança entre duas pessoas: rapport.

Na prática, bons professores fazem isso por intuição.

Percebem quando o aluno está cansado.

Lembram que ele teria uma apresentação importante.

Sabem qual assunto desperta interesse.

Notam quando existe medo de errar.

O desafio que colocamos internamente foi outro. E se aquilo que fazemos por intuição também pudesse ser feito por intenção?

Não para artificializar a relação. Justamente o contrário. Para prestar mais atenção.

Isso importa especialmente quando se ensina adultos. Nossos alunos chegam depois de reuniões, prazos, trânsito, decisões e dias que começaram cedo demais. Alguns entram na videoconferência ainda mentalmente dentro da reunião anterior.

O professor pode ignorar tudo isso e abrir a unidade.

Ou pode reconhecer a pessoa que chegou.

“Como foi seu fim de semana?” não constrói nada sozinho

Existe uma conversa que acontece em milhares de aulas de idiomas todos os dias.

“How was your weekend?”

O aluno responde.

O professor diz:

“Nice!”

E então:

“Open your book on page 12.”

Tecnicamente houve uma interação pessoal.

Mas provavelmente não houve nenhuma conexão.

O que transforma essa microinteração não é a pergunta inicial. É demonstrar que a resposta importou.

Talvez o aluno conte que cozinhou para a família. Existe uma conversa ali. O que ele preparou? Gosta de cozinhar? Faz isso há quanto tempo?

Talvez o assunto reapareça algumas aulas depois. Talvez vire contexto para uma atividade.

A conversa pessoal e o objetivo pedagógico deixam de competir. O aluno se sente ouvido e está usando o idioma para contar algo que aconteceu de verdade.

A confiança para falar inglês aparece na hora da correção

Talvez o efeito mais concreto dessa relação apareça justamente ali.

Alguns alunos começam a aula praticamente pedindo desculpas pelo próprio inglês.

“Sorry, my English is terrible.”

Quase sempre sabem mais do que acreditam saber. Mas falam devagar, monitoram cada frase e procuram no rosto do professor algum sinal de aprovação.

Nesse cenário, a forma de corrigir pesa muito.

Quando cada erro interrompe a fala, o aluno passa a interpretar qualquer silêncio do professor como sinal de que algo saiu errado. Aos poucos, em vez de experimentar o idioma, ele começa a tentar evitar o erro.

E evitar o erro funciona muito bem para não errar. Funciona muito mal para aprender.

Uma relação de confiança produz o efeito contrário. A aula se torna o lugar onde errar é permitido. Não porque o erro deixou de importar, mas porque ele ganhou uma função.

Aqui você pode errar, porque aqui existe alguém para ajudar você a entender o que aconteceu.

Quando discutimos correção com nossos professores, ficou claro que não existe regra única. Há aluno que prefere ser corrigido na hora. Há quem prefira terminar a frase primeiro. Há quem só queira saber no final. Escolher entre essas opções é parte do trabalho, e depende inteiramente de conhecer a pessoa.

Gostar do professor não é suficiente

Existe um cuidado importante aqui.

Uma aula agradável não é necessariamente uma boa aula, e confiança para falar inglês não é a mesma coisa que conforto.

Já vimos relações excelentes entre professor e aluno em que a conversa ficou tão confortável que o objetivo pedagógico foi desaparecendo aos poucos.

Confiança não significa deixar de cobrar.

Não significa deixar de corrigir.

Não significa conversar uma hora sobre a vida.

Uma boa relação pedagógica precisa comportar duas coisas que às vezes parecem opostas: acolhimento e direção.

O aluno precisa sentir que o professor o conhece. E também que ele sabe para onde está conduzindo aquele processo.

Talvez a confiança para falar inglês seja parte da metodologia

Durante muito tempo, falar de metodologia significou falar de material, técnica, atividade e abordagem.

Tudo isso continua importando.

Mas existe uma dimensão bem menos visível da aula.

O aluno se sente seguro para tentar?

Consegue dizer “não entendi”?

Aceita ser corrigido sem interpretar a correção como fracasso?

Arrisca uma palavra que talvez esteja errada?

São perguntas difíceis de medir, mas talvez expliquem boa parte da confiança para falar inglês que alguém desenvolve ao longo de um curso, ou deixa de desenvolver.

Na Wort, essa discussão terminou voltando para uma ideia simples: o material apresenta o idioma, mas a experiência em que esse idioma será aprendido é construída por pessoas.

Talvez você não lembre dos exercícios que aquele professor marcante usou.

Mas lembra de como se sentia naquela aula.

E talvez isso não tenha sido um efeito colateral do aprendizado. Talvez tenha sido uma das condições dele.

E você, lembra de como se sentia nas aulas que funcionaram? Me conta essa história aqui.

Um abraço e boa semana!

Lisandro Jardim – Fundador e CEO na Wort Idiomas

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