Quando alguém decide estudar por causa da carreira, costuma aparecer uma sequência que parece bastante razoável.
Primeiro melhorar a base.
Depois, quando estiver mais preparado, partir para o idioma usado no trabalho.
Parece lógico.
E é justamente por parecer lógico que quase ninguém questiona.
Mas essa sequência carrega uma suposição que talvez não se sustente: a de que o inglês para negócios seja uma versão mais difícil do idioma, reservada para quem já chegou a algum lugar.
Business não quer dizer difícil
Recentemente olhamos com atenção para as decisões que tomamos logo na entrada do aluno, no momento em que definimos com ele o tipo de material e de contexto que vai usar.
O padrão que encontramos não era técnico. Era mental.
Profissionais com necessidade clara de usar o idioma no trabalho estavam sendo direcionados para materiais mais genéricos. E a justificativa, quando aparecia, era quase sempre alguma variação de:
“Meu inglês ainda não é bom o suficiente para Business.”
“Primeiro preciso melhorar a base.”
“Depois eu vejo isso.”
O problema é que a premissa está trocada.
Um aluno iniciante pode precisar se apresentar a um colega estrangeiro.
Um aluno intermediário pode precisar explicar um atraso durante uma reunião.
Um aluno avançado pode precisar negociar um contrato.
Os três estão usando o idioma no trabalho.
A complexidade linguística muda.
O contexto não.
Por que o inglês para negócios costuma ficar para depois
Existe uma explicação honesta para isso, e ela não é falta de informação.
É insegurança.
Quando alguém diz que ainda não está pronto, raramente está avaliando o próprio nível com frieza. Está antecipando um constrangimento. Imagina a reunião, imagina a palavra que vai faltar, imagina o silêncio depois da pergunta.
E adia.
O curioso é que o adiamento produz exatamente aquilo que tentava evitar. A pessoa passa meses praticando situações que não vive, e segue sem repertório para as situações que enfrenta toda semana.
Nível e contexto são duas decisões diferentes
Essa talvez seja a distinção mais útil de todas.
O nível ajuda a definir a complexidade daquilo que você vai praticar.
O contexto define onde você vai praticar.
Escolher entre um curso geral e um curso de inglês para negócios é responder à segunda pergunta, não à primeira.
São perguntas separadas, e é muito comum tratá-las como se fossem a mesma.
Duas pessoas podem ter exatamente o mesmo nível e precisar de cursos bastante diferentes. Uma participa de calls semanais com um time em outro país. A outra quer viajar com mais autonomia.
Ensinar o mesmo conteúdo para as duas é pedagogicamente possível.
Mas dificilmente será igualmente relevante para as duas.
Quando o idioma encontra a semana do aluno
Nas conversas de acompanhamento que fazemos com quem estuda na Wort, essa diferença aparece de forma bem concreta.
Há quem precise apresentar em inglês um material que produziu do começo ao fim.
Há quem tenha deixado de gastar horas se preparando para cada reunião porque passou a conseguir conduzi-la.
Há quem simule entrevistas durante a aula porque está em processo seletivo agora, não algum dia.
Quando isso entra na aula, alguma coisa muda.
Uma apresentação deixa de ser exercício.
Um e-mail deixa de ser atividade.
Existe a possibilidade real de aquilo ser usado na terça-feira seguinte.
Isso não significa que todo profissional precise de inglês para negócios
Também encontramos o contrário.
Alunos com carreira em andamento e necessidade futura evidente, para quem o contexto profissional simplesmente não era a prioridade daquele momento. Uma aluna explicou que sabia que o idioma do trabalho viria em algum ponto, mas que preferia primeiro ganhar repertório para conversar, viajar e se sentir mais à vontade em situações amplas.
Era uma decisão coerente com a vida que ela tinha naquele momento.
Estar empregado não significa ter urgência profissional.
Personalizar não é transformar todo mundo em aluno de Business.
É encontrar relevância.
Onde esse idioma precisa funcionar na sua vida?
Durante muito tempo, a pergunta que orientou a escolha de um curso foi basicamente uma:
“Qual é o seu nível?”
É uma informação importante. Mas ela responde apenas quanto daquele idioma a pessoa já consegue usar.
Não responde onde ela precisa usá-lo.
Na Wort, isso tem mudado a forma como conduzimos os nivelamentos e os acompanhamentos ao longo da jornada, porque a resposta certa na entrada pode deixar de ser a resposta certa seis meses depois. Objetivos mudam. Carreiras mudam. A pessoa muda.
Então talvez a pergunta não seja se você já está pronto para o inglês para negócios.
Talvez seja quanto tempo você ainda pretende estudar um inglês que não é o que você precisa falar. Me conta aqui!
Um abraço e boa semana!
Lisandro Jardim – Fundador e CEO na Wort Idiomas


