rogresso no inglês: por que você pode não perceber

Quanto mais você aprende, mais pode parecer que ainda não sabe

Existe uma contradição curiosa na aprendizagem de um idioma.

No começo, você sabe pouco.

Mas também percebe pouco tudo aquilo que ainda não sabe.

Conforme evolui, começa a compreender melhor a língua, amplia o vocabulário, reconhece estruturas que antes passavam despercebidas e consegue lidar com situações mais complexas.

Ao mesmo tempo, sua percepção sobre as próprias limitações também fica mais sofisticada.

E é aí que pode surgir uma sensação estranha:

“Eu estudo, estudo, mas parece que ainda não sei inglês.”

Nos nossos check-ins com alunos, essa sensação aparece de diferentes formas. E ela revela algo importante sobre o progresso no inglês: evoluir e perceber que está evoluindo não são exatamente a mesma coisa.

Em uma dessas conversas, uma aluna começou dizendo que ainda não se sentia segura para falar inglês.

Ao desenvolver a resposta, porém, começou a listar algumas coisas que haviam mudado.

Hoje consegue assistir a programas com legenda em inglês de uma forma que antes não conseguia. Percebe que compreende diferentes sotaques com mais facilidade. Sente mais liberdade para errar durante as aulas. Reconhece que seu inglês já não é o mesmo de antes.

Ainda assim, sua primeira resposta foi:

“Eu não me sinto segura.”

Às vezes, o problema muda de lugar

Outro caso ajuda a enxergar essa questão por um ângulo diferente.

Uma aluna de espanhol lembrava que, no início, tinha muita dificuldade com os verbos. Para correr menos risco de errar, tentava construir quase tudo usando formas mais simples.

Depois de algum tempo, percebeu que isso havia mudado bastante. Ela já conseguia se expressar melhor e usar estruturas mais variadas.

Mas surgiu um novo desconforto.

Em conversas sobre política, economia e temas mais específicos, apareciam palavras que ela não dominava. Às vezes, precisava procurar até mesmo a palavra em português antes de conseguir formular a ideia em espanhol.

A sensação momentânea era:

“Nossa, parece que eu não sei espanhol.”

Só que havia um detalhe importante.

Antes, a dificuldade estava em construir frases relativamente básicas. Agora, ela estava tentando discutir temas mais complexos.

A dificuldade não havia desaparecido.

Ela havia mudado de nível.

Sua régua também evolui

Esse talvez seja um dos aspectos mais curiosos do progresso no inglês.

Imagine alguém que começa querendo simplesmente sobreviver a uma conversa.

No início, conseguir responder a uma pergunta ou compreender o assunto geral de uma reunião já representa uma enorme conquista.

Algum tempo depois, essa mesma pessoa talvez esteja incomodada porque não consegue explicar uma ideia com a precisão que gostaria.

Depois, porque ainda precisa preparar uma apresentação com antecedência.

Mais adiante, porque não acompanha com tanta facilidade um colega com determinado sotaque.

A pessoa melhorou.

Mas a expectativa também mudou.

A régua subiu junto.

Em outro check-in, por exemplo, um profissional contou que havia voltado a ter contato com um time global e que sua fala havia “destravado”. Já conseguia conduzir boa parte das situações profissionais em inglês, embora ainda precisasse de apoio em assuntos muito técnicos.

Se a pergunta fosse apenas “você já fala inglês como gostaria?”, talvez a resposta ainda fosse não.

Mas existe outra pergunta muito mais interessante:

O que você consegue fazer hoje que não conseguia fazer alguns meses atrás?

“Fluente” talvez não seja a melhor régua

Um dos problemas de avaliar o progresso no inglês apenas pela ideia de fluência é que ela costuma parecer distante e pouco definida.

Quando alguém diz “quero ficar fluente”, o que exatamente isso significa?

Participar de uma reunião sem ensaiar cada frase? Entender um filme sem legenda? Apresentar um projeto? Viajar sozinho? Negociar com um fornecedor?

As respostas podem ser completamente diferentes.

Por isso, talvez seja mais útil procurar evidências concretas.

Hoje você entende uma reunião que antes parecia rápida demais?

Consegue falar por mais tempo antes de recorrer ao português?

Precisa traduzir menos mentalmente?

Consegue improvisar quando alguém faz uma pergunta inesperada?

Esses sinais podem parecer pequenos isoladamente, mas mostram que o idioma está deixando de ser apenas conhecimento e se tornando ferramenta.

Você está se comparando com quem?

É muito comum olhar para aquele colega que fala melhor, para quem viveu fora ou para alguém que usa inglês todos os dias no trabalho e concluir:

“Meu inglês ainda é ruim.”

Mas essa comparação raramente considera histórias, oportunidades, quantidade de exposição e pontos de partida diferentes.

Existe uma comparação muito mais honesta.

Você hoje versus você alguns meses atrás.

Não significa ignorar aquilo que ainda precisa melhorar. Significa reconhecer também aquilo que já mudou.

Porque aprender um idioma exige consciência das lacunas.

Mas exige consciência das conquistas também.

Talvez você esteja mais longe do começo do que imagina

Nos check-ins da Wort, buscamos justamente criar espaço para essa percepção.

O que hoje está mais fácil? Onde ainda existe desconforto? O que mudou na comunicação? Quais situações profissionais deixaram de ser tão difíceis? Qual é o próximo desafio?

Às vezes, ao responder essas perguntas, o próprio aluno começa a encontrar evidências do seu progresso no inglês que estavam acontecendo sem que ele percebesse.

Talvez você ainda esteja longe do inglês que gostaria de ter.

Mas isso não significa que esteja perto do inglês com que começou.

E perceber essa diferença também faz parte de aprender.

Se você sente que estuda há algum tempo, mas ainda não consegue enxergar claramente sua evolução, converse com a Wort. Talvez o próximo passo não seja simplesmente estudar mais. Talvez seja entender o quanto você já avançou e definir com mais clareza o que precisa acontecer daqui para frente.

Um abraço e até a próxima semana!

Lisandro Jardim – Fundador e CEO na Wort Idiomas

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