A maioria dos adultos que chega à Wort não está começando a aprender inglês.
São pessoas que já estudaram o idioma durante algum período da vida.
Algumas fizeram cursos por dois ou três anos.
Outras estudaram durante praticamente toda a adolescência.
Há também quem tenha passado por diferentes escolas, professores particulares, aplicativos, treinamentos oferecidos por empresas e até experiências no exterior.
Por isso, quando perguntamos se aquela pessoa sabe inglês, a resposta raramente é simples.
Ela entende boa parte do que lê.
Reconhece palavras quando assiste a um vídeo.
Lembra-se de algumas regras gramaticais.
Talvez até consiga identificar quando uma frase está errada.
Mas, quando precisa participar de uma reunião, apresentar uma ideia, discordar de alguém ou responder a uma pergunta inesperada, todo aquele conhecimento parece desaparecer.
Essa experiência costuma produzir uma conclusão frustrante:
“Eu estudei inglês durante tantos anos e ainda não consigo falar.”
Talvez, porém, o problema não seja exatamente esse.
Talvez você não tenha perdido o inglês que aprendeu.
Talvez apenas tenha aprendido um inglês que não acompanhou todas as mudanças que aconteceram na sua vida.
Sua vida mudou. Seu inglês acompanhou?
Aos 15 anos, provavelmente você não precisava conduzir reuniões.
Não precisava negociar prazos.
Não precisava apresentar resultados.
Não precisava explicar por que determinada decisão foi tomada.
Também não precisava discordar de um colega sem comprometer a relação ou representar sua empresa diante de clientes e executivos de outros países.
Naquela época, suas necessidades eram outras.
O inglês servia para responder a uma prova, completar exercícios, compreender músicas, acompanhar filmes ou se preparar para uma viagem.
É natural, portanto, que o idioma aprendido naquele momento estivesse conectado àquela versão da sua vida.
O problema aparece quando os anos passam, a carreira evolui e as responsabilidades aumentam, mas o repertório linguístico permanece praticamente no mesmo lugar.
Você aprendeu a conjugar verbos.
Mas não necessariamente a defender um ponto de vista.
Aprendeu vocabulário relacionado a situações cotidianas.
Mas não desenvolveu recursos para explicar uma decisão complexa.
Aprendeu a construir frases corretas.
Mas não a organizar o pensamento enquanto fala.
O conhecimento adquirido continua existindo.
Ele apenas não acompanhou a pessoa que você se tornou.
Entender não é o mesmo que conseguir falar
Existe uma diferença importante entre aquilo que você reconhece no idioma e o que consegue produzir.
Você pode encontrar uma palavra em um texto e compreender seu significado.
Pode escutar uma expressão durante uma apresentação e acompanhar a mensagem.
Pode ler um e-mail e entender praticamente todas as informações.
Mas isso não significa que conseguirá utilizar as mesmas palavras espontaneamente durante uma conversa.
É a diferença entre vocabulário passivo e vocabulário ativo.
O vocabulário passivo é formado por aquilo que você reconhece e compreende.
O ativo é aquilo que consegue acessar quando precisa se comunicar.
Na maioria dos adultos que chegam à Wort, existe uma distância significativa entre os dois.
Essas pessoas sabem mais inglês do que conseguem demonstrar.
Isso ajuda a explicar por que alguém pode assistir a um vídeo e compreender quase tudo, mas ter dificuldade para produzir uma resposta relativamente simples.
Também explica uma frase que escutamos com frequência:
“Na minha cabeça, eu sei o que quero falar. Só não consigo colocar para fora.”
Não se trata necessariamente de falta de conhecimento.
Muitas vezes, trata-se de um conhecimento que foi pouco utilizado.
E aquilo que não é utilizado dificilmente se transforma em recurso de comunicação.
A carreira exige um inglês diferente
Conforme um profissional assume novas responsabilidades, ele não precisa apenas aprender palavras mais técnicas.
Precisa desenvolver uma comunicação mais sofisticada.
É necessário demonstrar segurança sem parecer inflexível.
Discordar sem criar um confronto desnecessário.
Simplificar informações complexas.
Conduzir uma conversa delicada.
Adaptar a mensagem a diferentes interlocutores.
Reconhecer quando é preciso ser direto e quando é necessário construir contexto.
Nada disso depende apenas de conhecer regras gramaticais.
Depende de eloquência.
Eloquência não significa utilizar palavras difíceis ou falar como um nativo.
Significa conseguir organizar uma mensagem de maneira clara, adequada e coerente com a situação.
Uma pessoa pode cometer pequenos erros e, ainda assim, comunicar-se com eficiência.
Da mesma forma, alguém pode construir frases tecnicamente corretas e não conseguir transmitir com clareza aquilo que pensa.
No ambiente corporativo, essa diferença importa.
Afinal, as pessoas não avaliam apenas quantas regras você conhece.
Elas precisam compreender sua ideia.
Você provavelmente não precisa começar novamente
Quando um adulto percebe a distância entre o inglês que entende e o que consegue produzir, pode surgir a sensação de que será necessário recomeçar do zero.
Na maioria das vezes, não será.
Toda experiência anterior deixou algum repertório.
Palavras foram armazenadas.
Estruturas se tornaram familiares.
Associações já foram construídas.
O desafio não é apagar essa história.
É identificar o que pode ser aproveitado e o que precisa ser desenvolvido a partir de agora.
Por isso, um processo de aprendizagem voltado para adultos não deveria considerar apenas quanto conteúdo aquela pessoa conhece.
Precisa compreender o que ela consegue fazer com o idioma.
A gramática continua importante.
O vocabulário também.
Mas eles precisam estar a serviço da comunicação.
O objetivo não é apenas reconhecer uma estrutura.
É utilizá-la para explicar, argumentar, comparar, discordar, negociar e tomar decisões.
É assim que o conhecimento acumulado começa a se transformar em autonomia.
Talvez o seu inglês não esteja ruim. Talvez esteja parado no tempo.
O adolescente que fazia exercícios se tornou um profissional que participa de decisões.
A pessoa que estudava para uma prova agora precisa construir relacionamentos.
Quem aprendia diálogos prontos hoje enfrenta conversas imprevisíveis.
Sua vida evoluiu.
Sua carreira ganhou novas camadas.
Sua maneira de pensar se tornou mais sofisticada.
O idioma também precisa acompanhar esse movimento.
Você não precisa abandonar o inglês que aprendeu aos 15 anos.
Mas talvez tenha chegado o momento de apresentar esse inglês à pessoa que você se tornou.
Será que o problema é realmente o inglês?
Muitas pessoas chegam à Wort acreditando que precisam aprender tudo novamente.
Durante o processo, descobrem que possuem muito mais conhecimento do que conseguiam demonstrar.
O que faltava não era apenas mais conteúdo.
Faltavam oportunidades para transformar reconhecimento em produção, conhecimento em comunicação e repertório em autonomia.
Essa é uma das reflexões presentes no e-book “Será que o problema é o inglês?”.
Talvez a dificuldade não esteja apenas no idioma.
Talvez esteja na distância entre a forma como você aprendeu e a maneira como precisa se comunicar hoje. Reconhecer essa diferença pode ser o primeiro passo para construir um inglês que não pertença apenas ao seu passado, mas que acompanhe o próximo momento da sua carreira.
Até a próxima semana e um abraço!
Lisandro Jardim – Fundador CEO na Wort Idiomas


